domingo, 3 de fevereiro de 2013

"O pior não é envelhecer, o pior é que não se envelhece"




Acho essa frase do Oscar Wild fantástica. Sempre a usei como um jargão quando certas pessoas comentavam comigo que, apesar da idade, continuavam pensando da mesma forma e, gostando do que gostavam antes. Essas pessoas me contavam que continuavam sentindo prazer de correr, de gritar, de brincar, de serem mimadas, enfim, continuavam com a mesma essência, com a mesma alma apesar de estarem cobertas pela idade. Não sei o que o célebre autor quis exatamente dizer com essa frase, mas eu acredito que seja isso: apesar de o tempo passar, continuamos do mesmo jeito- com as mesmas vontades, pensamentos, indagações. O tempo é que talvez não ajuda para que façamos, como antes, as mesmas coisas da mesma forma.

Apesar de acreditar que essa frase tem muito sentido, hoje eu penso diferente. Acredito que sim, envelhecemos. Junto com as rugas vem um certo envelhecer. Pode parecer obvio o que estou escrevendo, mas acredito que nossa essência se modifica. Com o tempo nos tornamos mais seletivos, passamos a não querer mais enfrentar certas situações. Com o tempo, não queremos mais conviver só por conviver, agregar só por agregar, dizer só por dizer. Passamos a não querer fazer mais nada sem motivos. Com a idade, passamos a tornar o motivo, talvez, a fonte das nossas buscas. Não saímos mais desenfreados por aí, regidos pelo desejo esperando algum resultado. Queremos o caminho. O aprendizado e a extração de alguma coisa (negativa ou positiva) daquela situação. Somos regidos pelo motivo daquela busca. Não queremos mais o vazio. Nem pelo cansaço ou pela vontade de agradar. Queremos o que queremos mesmo, de verdade, e que só vamos enxergando com o tempo,  com os olhos quase cegos da maturidade.
                                                                

                                                                        










Um comentário:

  1. Marina,

    Também compartilho dessas inquietações e gostaria de expó-las aqui porque são questões que sempre me habitaram e a escrita (pra mim) funciona como maneira de me (des)organizar.
    Então, pensando no seus escritos, acho que a questão se coloca quando nos esquecemos que o controle nos escapa e que é justamente nesse momento, de suposto descontrole, que o sujeito tem a chance de se reinventar e se reescrever no mundo de uma outra maneira, uma maneira que o permita dialogar com essa "nova" realidade e isso pra mim é se deslocar e não envelhecer ou não.Não existe relação com a idade mas com a percepção que estamos sempre em suspenso,à deriva e que tudo pode acontecer e abalar a estrutura antes (aparentemente) tão rígida.

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