Acho essa frase do Oscar Wild fantástica. Sempre a usei como um jargão quando certas pessoas
comentavam comigo que, apesar da idade, continuavam pensando da mesma forma e, gostando do que gostavam antes. Essas pessoas me
contavam que continuavam sentindo prazer de correr, de gritar, de brincar, de
serem mimadas, enfim, continuavam com a mesma essência, com a mesma alma apesar
de estarem cobertas pela idade. Não sei o que o célebre autor quis exatamente
dizer com essa frase, mas eu acredito que seja isso: apesar de o tempo passar, continuamos
do mesmo jeito- com as mesmas vontades, pensamentos, indagações. O tempo é que
talvez não ajuda para que façamos, como antes, as mesmas coisas da mesma forma.
Apesar de acreditar que essa frase tem muito sentido, hoje eu penso diferente. Acredito que sim, envelhecemos. Junto com as rugas vem um certo
envelhecer. Pode parecer obvio o que estou escrevendo, mas acredito que nossa essência se modifica. Com o tempo nos tornamos mais seletivos, passamos a não querer mais enfrentar certas situações. Com o tempo, não queremos mais conviver só por
conviver, agregar só por agregar, dizer só por dizer. Passamos a não querer fazer mais nada sem
motivos. Com a idade, passamos a tornar o motivo, talvez, a fonte das
nossas buscas. Não saímos mais desenfreados por aí, regidos pelo desejo esperando algum resultado. Queremos o caminho. O aprendizado e a extração de alguma coisa (negativa ou positiva)
daquela situação. Somos regidos pelo motivo daquela busca. Não queremos mais o vazio. Nem pelo cansaço ou pela vontade
de agradar. Queremos o que queremos mesmo, de verdade, e que só vamos
enxergando com o tempo, com os olhos quase cegos da maturidade.

