terça-feira, 10 de julho de 2012

Lápis,caneta e borracha






"Lápis,caneta e borracha.Lápis,caneta e borracha.Lápis,caneta e borracha". Foi exatamente assim que eu acordei na manhã desse domingo. Como de costume,sempre quando tem vestibular ou algum concurso na PUC sou acordada por esse mesmo vendedor anunciando o óbvio: lápis,caneta e borracha. Mas qual seria a pessoa que iria a um compromisso tão importante quanto esse sem levar lápis,caneta e borracha (ferramentas essenciais a execução de uma prova)? Essa é uma questão muito interessante, e eu diria até, inconscientemente formada. Como não sou da área e nada sei de psicanálise,não posso me atrever a escrever sobre tal enigma,mas já ouvi dizer por alguns profissionais que o esquecimento de lápis,caneta e borracha ou de algo importante para determinada ocasião quer dizer muito mais do que uma distração.O inconsciente flerta diretamente com o esquecimento. Freud diz que o esquecimento é um mecanismo ativado de "encobrimento do desprazer" e ainda sugere que ele pode se dar como um ato falho positivo. Abaixo uma parte de um texto muito interessante que eu li que articula o inconsciente com o esquecimento e que explica que talvez o fato de você não levar lápis,caneta e borracha no seu dia de prova,depois de anos de estudo,significa muito mais do que um simples alheamento.


"Freud inicia suas reflexões, divagando sobre o esquecimento de coisas simples: nomes próprios, palavras estrangeiras e ordenação e seqüência de palavras em ditos. O primeiro exemplo de como o mecanismo do esquecimento atua nos seres, é tirado de si mesmo. Fazendo viagem ao leste europeu, em conversa com um companheiro de viagem, tenta lembrar-se de um artista italiano. As palavras Botticelli e Boltraffio rodeavam sua mente, mas sabia que não correspondiam à busca. A dúvida atordoa o mestre por muitos dias, mas, como bem sabia e disse, “a melhor técnica para lembrar o nome que falta é não pensar nele”, até que, com uma grande exclamação, soltar o que procurava: Signorelli! Encontrado o nome em questão, era hora de fazer a análise do que redundara em seu esquecimento, já que, naquele momento, Freud começara a pensar que havia causas muito bem explicáveis e localizáveis, para o esquecimento de coisas que ocupavam lugares certos em sua mente.
Remetendo-se a um comentário feito pelo mesmo companheiro de viagem pouco tempo antes, acerca de como os bósnios se resignam ante a morte, e do quanto prezam pelo ato sexual, referindo a esses dois temas com ditos iniciados por Herr (Tradução para Senhor, em uma série de línguas do leste, como também, do alemão, e que já tinha uma certa história na clínica de Freud, que se lembrara de alguns pacientes que assim lhe referiam) o companheiro de viagem acabara por induzir, inconscientemente, o recalque de Freud, ao nome do artista Signorelli, visto que Sgnor, e Senhor (Herr), tem semelhantes raízes semânticas: o radical do nome do esquecimento em questão fora elidido ante certo mal-estar de Freud, aos comentários de seu companheiro de viagem, que utilizando-se de certas falas locais, acabava por bloquear a lembrança daquele nome, como um dispositivo que inconscientemente pretendia fazer fugir de temas tão embaraçosos. Os nomes anteriores, Bottic-elli – este fazia uma referência ao sufixo do nome em busca – e Boltraffio, ambos iniciados com “Bo” faziam referência à Bó-snia, também chamada de HERzegovina."

Link:  http://acertodecontas.blog.br/artigos/a-funcao-do-esquecimento/




6 comentários:

  1. Se algum dia eu puder compreender a um fato do meu passado ficarei imensamente feliz. Dancei durante anos e sempre na véspera das minhas apresentações eu sonhava(eram sempre sonhos) que esquecia a minha sapatilha. O que isso queria dizer eu não faço a menor idéia. Também não sei se tudo tem sempre que dizer alguma coisa.

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  2. Hey sis!Adorei o post. "O esquecimento é a única vingança e o único perdão"- Jorge L. Borges.
    Fantástico mecanismo psíquico que funciona ao revés.
    O único cuidado que temos que ter é que como já dizia Freud:
    As vezes um charuto é apenas um charuto.
    Deixo aqui um texto para quem quiser ler mais um pouquinho:
    http://www.escolaletrafreudiana.com.br/UserFiles/110/File/artigos/letra23/018.pdf

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    1. Ei! Q bom que gostou! As nossas conversas com certeza foram o ponto de partida para que eu pudesse me atentar a esses "pequenos detalhes". É tudo muito interessante, beijos

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  3. Menina, super curti o post. Que troço loco essa história do Freud! rsrsr

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  4. Ei Morgan! Muito obrigada, esse blog foi criado com muito carinho por 4 amigos! Pode deixar que visitarei o seu blog sim,

    Marina Costa

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